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Como Fazer Fluxo de Caixa de uma Empresa Sem Complicar

Escrito por Eliane Silva

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Você sabe como fazer fluxo de caixa da sua empresa? Você abre o aplicativo do banco, vê dinheiro na conta e pensa: “Este mês está tranquilo”. Alguns dias depois, chegam fornecedor, aluguel, impostos e outras despesas. De repente, aquele saldo que parecia confortável praticamente desaparece.

Essa situação é muito comum quando o empresário olha apenas para o dinheiro disponível hoje e não acompanha o que ainda vai entrar e sair. É justamente por isso que aprender como fazer fluxo de caixa de uma empresa pode mudar completamente a forma como você administra o negócio.

O fluxo de caixa não precisa ser uma planilha complicada, cheia de fórmulas que ninguém entende. Na prática, ele serve para mostrar de onde o dinheiro está vindo, para onde está indo e quanto provavelmente ficará disponível depois das movimentações previstas.

Quando esse controle é feito corretamente, você consegue perceber antecipadamente períodos de aperto, planejar compras, negociar prazos e evitar aquela sensação de administrar a empresa no escuro.

Portanto, se você ainda controla o negócio apenas olhando o saldo bancário, chegou a hora de organizar melhor essas informações.

Neste guia, você vai entender como fazer fluxo de caixa de uma empresa sem complicar, mesmo que ainda não tenha uma estrutura financeira avançada.

O que é fluxo de caixa?

Como fazer fluxo de caixa
Como fazer fluxo de caixa

O fluxo de caixa é o controle das entradas e saídas de dinheiro da empresa durante determinado período. Entradas representam valores recebidos ou que devem entrar no caixa, enquanto saídas representam pagamentos realizados ou previstos.

Parece simples, certo? E realmente pode ser.

Imagine uma pequena loja. Durante a semana, entram pagamentos de vendas no Pix, dinheiro e cartão. Ao mesmo tempo, saem valores para fornecedores, embalagens, aluguel, energia, salários, impostos e outras despesas.

O fluxo de caixa organiza essas movimentações para mostrar se o negócio está gerando dinheiro suficiente para cumprir seus compromissos.

O ponto mais importante é que fluxo de caixa não serve apenas para registrar o passado. Um bom controle também olha para frente.

Você precisa saber não apenas o que pagou ontem, mas também o que vencerá amanhã, na próxima semana e no próximo mês.

Leia depois: Pró-Labore: O Que É, Como Definir e Quanto Retirar da Empresa

Por que o saldo da conta não substitui o fluxo de caixa?

Esse é um erro muito comum.

Imagine que sua empresa tenha R$ 15.000 disponíveis hoje. Você pode pensar que existe dinheiro suficiente para comprar mais estoque ou retirar parte do valor. Porém, nos próximos dez dias vencem R$ 5.000 de fornecedores, R$ 3.000 de aluguel e despesas, R$ 2.000 de impostos e outras obrigações.

De repente, aqueles R$ 15 mil já não parecem tão livres.

O saldo bancário mostra apenas uma fotografia do momento. Já o fluxo de caixa mostra um filme: revela o que aconteceu, o que está acontecendo e o que provavelmente acontecerá com o dinheiro da empresa.

É justamente essa visão que ajuda o empresário a tomar decisões com antecedência.

Como fazer fluxo de caixa da empresa?

Você pode começar com uma planilha, sistema financeiro ou até uma estrutura simples de controle, desde que registre as informações corretamente. Não existe vantagem em usar uma ferramenta sofisticada se você não atualiza os dados.

Comece criando algumas colunas básicas:

  • Data
  • Descrição
  • Categoria
  • Entrada
  • Saída
  • Forma de pagamento
  • Situação: pago, recebido ou previsto
  • Saldo

Depois, registre cada movimentação do negócio.

Se vendeu R$ 500 no Pix, registre.

Pagou R$ 300 ao fornecedor, registre.

Se existe uma conta de R$ 1.200 que vencerá daqui a dez dias, coloque como saída prevista.

Assim, o fluxo começa a mostrar a realidade financeira da empresa.

Separe entradas e saídas corretamente

Para que o controle seja útil, não jogue tudo dentro de uma categoria chamada simplesmente “dinheiro”.

Nas entradas, você pode separar:

  • vendas à vista
  • recebimentos de cartão
  • Pix
  • recebimentos de clientes
  • outras receitas empresariais

Já nas saídas, pode utilizar categorias como:

  • fornecedores
  • estoque
  • aluguel
  • salários
  • impostos
  • marketing
  • frete
  • embalagens
  • sistemas

Essa organização permite descobrir onde o dinheiro está sendo gasto.

Imagine perceber que as despesas com entrega cresceram 40% nos últimos meses. Sem categorias, talvez você nem notasse. Com o fluxo de caixa organizado, o problema aparece claramente.

Registre a data em que o dinheiro realmente entra

Este detalhe é fundamental.

Você vendeu R$ 3.000 hoje no cartão.

Isso significa que R$ 3.000 já estão disponíveis? Não necessariamente.

Dependendo das condições do pagamento, o dinheiro pode entrar posteriormente.

Por isso, diferencie venda realizada de dinheiro recebido. O mesmo vale para vendas parceladas.

Se um cliente compra R$ 1.200 em seis parcelas, não faz sentido tratar todo o valor como dinheiro disponível imediatamente se os recebimentos acontecerão ao longo dos próximos meses.

Essa diferença ajuda a evitar uma situação perigosa: assumir compromissos com base em dinheiro que ainda não entrou no caixa.

Registre também as contas que ainda vão vencer

Um bom fluxo de caixa empresarial não deve conter apenas pagamentos já realizados. Inclua as despesas previstas.

Imagine que hoje seja dia 5 e você saiba que no dia 10 precisará pagar R$ 4.000 a um fornecedor. Esse valor precisa aparecer na projeção.

Da mesma forma, se existe aluguel no dia 15 e impostos no fim do mês, registre antecipadamente.

Isso permite visualizar possíveis períodos negativos antes que eles aconteçam. E essa antecipação vale muito.

Se você percebe hoje que daqui a três semanas poderá faltar R$ 5 mil, ainda existe tempo para negociar prazo, reduzir compras, antecipar recebimentos ou ajustar alguma decisão.

Descobrir o problema apenas no dia do vencimento deixa muito menos alternativas.

Faça uma projeção para as próximas semanas

Depois de registrar entradas e saídas, comece a projetar.

Não precisa prever o futuro perfeitamente. O objetivo é trabalhar com aquilo que você já conhece e com estimativas realistas.

Liste:

  • quanto deve receber;
  • quando deve receber;
  • quanto precisará pagar;
  • quando cada pagamento vence.

Depois, acompanhe o saldo projetado.

Imagine:

Saldo inicial: R$ 10.000.

Entradas previstas: R$ 8.000.

Saídas previstas: R$ 14.000.

Nesse exemplo, ao final do período o saldo projetado seria de R$ 4.000.

Agora imagine que as saídas previstas fossem R$ 20.000.

Você já enxergaria um possível déficit antes que ele acontecesse.

Essa é uma das maiores vantagens de saber como fazer fluxo de caixa da empresa.

Faça o controle diariamente ou com frequência definida

Fluxo de caixa como fazer
Fluxo de caixa como fazer

Não espere o fim do mês para lembrar de tudo.

Pequenas movimentações esquecidas começam a distorcer o resultado.

Um frete de R$ 35.

Uma compra rápida de embalagem.

Uma tarifa.

Um pagamento recebido diretamente.

Separadamente parecem valores pequenos. Somados durante o mês, podem representar uma quantia relevante.

Se sua operação possui muitas movimentações, atualize diariamente. Se o volume ainda é pequeno, escolha uma frequência fixa que você realmente consiga cumprir.

O importante é criar rotina. Controle financeiro feito uma vez por mês, tentando reconstruir tudo pela memória, costuma gerar erros.

Não misture dinheiro pessoal com dinheiro da empresa

Você controla perfeitamente fornecedores, vendas e despesas, mas paga o supermercado da família com a conta empresarial. Depois faz outra retirada para pagar cartão pessoal. No fim do mês, tenta descobrir para onde o dinheiro foi.

Esse comportamento destrói a qualidade do fluxo de caixa.

Por isso, mantenha separadas as movimentações pessoais e empresariais. Quando precisar retirar dinheiro da empresa, registre corretamente essa saída conforme a forma definida para sua realidade empresarial.

Se esse ainda é um problema no seu negócio, veja como separar o dinheiro pessoal do dinheiro da empresa.

Quanto mais organizada for essa separação, mais confiável será o seu controle.

Fluxo de caixa e capital de giro estão ligados

Imagine que sua empresa precise pagar fornecedores hoje, mas só receberá boa parte das vendas daqui a 30 dias.

Existe um intervalo.

Durante esse período, o negócio precisa continuar funcionando.

É aí que entra o capital de giro.

O fluxo de caixa ajuda justamente a identificar esses momentos em que as saídas acontecem antes das entradas. Quando você percebe esse padrão antecipadamente, consegue calcular melhor quanto dinheiro precisa manter disponível para financiar a operação.

Por isso, fluxo de caixa e capital de giro não devem ser analisados isoladamente.

Se quiser aprofundar esse ponto, consulte como calcular o capital de giro para uma pequena empresa.

Estoque também mexe diretamente com o caixa

Você compra R$ 10.000 em mercadorias.

Financeiramente, houve uma saída de caixa.

Agora, para esse dinheiro voltar, os produtos precisam ser vendidos e recebidos.

Se você compra estoque demais, pode ter prateleiras cheias e conta bancária vazia.

Por isso, observe o giro dos produtos antes de fazer grandes compras. Descontos por volume podem parecer vantajosos, mas deixam de ser interessantes quando você prende dinheiro em mercadorias durante meses.

Se trabalha com revenda, acompanhe também como controlar estoque de produtos para revenda.

Fluxo de caixa e estoque precisam conversar. Caso contrário, você corre o risco de ter patrimônio em mercadorias e falta de dinheiro para pagar as contas.

Seu preço também pode causar problemas no fluxo de caixa

Vender muito não significa necessariamente gerar caixa suficiente.

Se seu preço estiver baixo demais, cada venda deixa pouco dinheiro para pagar as despesas do negócio.

Imagine trabalhar intensamente, aumentar o número de pedidos e perceber que o caixa continua apertado. Nesse caso, talvez o problema não seja falta de vendas, mas margem insuficiente.

Por isso, revise periodicamente sua precificação.

Veja também como calcular o preço de venda de produtos para revenda.

Seu fluxo de caixa pode revelar esse problema rapidamente. Se a empresa vende constantemente, mas o saldo nunca melhora, investigue custos, preços e margens.

Crie categorias, mas não complique demais

Um erro frequente é criar cinquenta categorias logo no primeiro dia.

Depois, ninguém sabe se determinada despesa entra em “Operacional”, “Administrativo”, “Material”, “Suprimentos” ou “Diversos”.

Comece simples.

Você pode trabalhar inicialmente com categorias como:

  • Vendas
  • Fornecedores
  • Estoque
  • Despesas fixas
  • Marketing
  • Impostos
  • Fretes
  • Pessoal
  • Outros

Conforme a necessidade aparecer, refine.

O melhor sistema é aquele que permite entender o negócio e que você consegue manter atualizado.

Compare o previsto com o realizado

Este passo deixa o controle muito mais útil.

Imagine que você previa vender R$ 20 mil no mês, mas vendeu R$ 16 mil.

Ou esperava gastar R$ 2 mil com frete, mas gastou R$ 3.500.

Essa diferença merece investigação.

Por isso, compare periodicamente: Previsto x realizado

Você começa a descobrir onde suas estimativas estão erradas e melhora as projeções futuras. Talvez determinada despesa sempre fique acima do planejado.

Talvez suas vendas caiam em um período específico. Ou talvez fornecedores concentrem muitos pagamentos na mesma semana.

Esses padrões ajudam você a administrar melhor.

O que fazer quando o fluxo de caixa prevê falta de dinheiro?

Primeiro, não ignore.

Um saldo projetado negativo é um aviso.

Analise o que está causando o problema.

Pode ser:

  • estoque comprado em excesso;
  • vendas recebidas muito tarde;
  • fornecedores cobrando antes;
  • despesas fixas elevadas;
  • preço de venda inadequado;
  • queda temporária nas vendas.

Depois, avalie quais ações são possíveis.

Talvez você consiga negociar prazo com fornecedores, reduzir compras temporariamente, acelerar cobranças, cortar gastos não essenciais ou reorganizar datas. O ponto principal é agir antes.

Uma projeção negativa identificada antecipadamente é um problema de gestão. Uma conta vencendo hoje sem dinheiro pode virar uma emergência.

Tenha cuidado com empréstimos para tapar buracos recorrentes

Existe crédito destinado a capital de giro, e ele pode fazer sentido em determinadas situações.

Porém, se todo mês a empresa precisa pegar dinheiro emprestado apenas para pagar despesas normais, existe um problema estrutural.

Antes de assumir uma nova dívida, descubra por que o caixa está sempre negativo.

Talvez o preço esteja errado. Os custos estejam altos. Talvez exista estoque parado.

Ou simplesmente o prazo dos recebimentos seja incompatível com o prazo dos pagamentos.

Crédito pode resolver um descasamento temporário. Mas não corrige sozinho um modelo que perde dinheiro continuamente.

Erros comuns no fluxo de caixa

Como fazer um fluxo de caixa
Como fazer um fluxo de caixa

Um dos principais erros é registrar somente as entradas e esquecer pequenas despesas. Outro é considerar vendas parceladas como dinheiro já disponível, o que cria uma falsa sensação de caixa.

Também é comum esquecer despesas futuras, misturar gastos pessoais com empresariais e deixar o controle desatualizado durante semanas.

Outro problema é olhar apenas para o saldo final sem analisar categorias. Você sabe que o dinheiro caiu, mas não entende por que.

Por fim, existe quem monte uma planilha perfeita e nunca mais atualize.

Fluxo de caixa só funciona quando faz parte da rotina.

Perguntas frequentes sobre fluxo de caixa para pequena empresa

O que é fluxo de caixa?

É o controle das entradas e saídas de dinheiro da empresa em determinado período, incluindo movimentações realizadas e, quando projetado, valores previstos.

Como fazer fluxo de caixa da empresa?

Registre cada entrada e saída com data, descrição, categoria e valor. Depois, inclua pagamentos e recebimentos futuros para projetar o saldo.

Preciso atualizar o fluxo de caixa todos os dias?

Depende do volume de movimentações. Empresas com muitas transações podem se beneficiar de atualizações diárias. O mais importante é manter uma frequência consistente.

Posso controlar o fluxo de caixa em uma planilha?

Sim. Pequenas empresas podem começar com uma planilha bem organizada. Conforme o negócio cresce, sistemas financeiros podem facilitar a automação e análise.

Fluxo de caixa é a mesma coisa que lucro?

Não. Fluxo de caixa mostra movimentação de dinheiro. Lucro considera receitas e despesas conforme critérios de resultado. Uma empresa pode apresentar lucro e, ainda assim, enfrentar falta de caixa em determinado momento.

Para que serve a projeção de fluxo de caixa?

Ela ajuda a prever períodos em que pode sobrar ou faltar dinheiro, permitindo que a empresa tome decisões antes dos vencimentos.

Conclusão

Aprender como fazer fluxo de caixa da empresa não exige um sistema financeiro complicado. O mais importante é criar um controle confiável das entradas, saídas e compromissos futuros.

Comece registrando tudo.

  • Separe as movimentações por categoria.
  • Diferencie venda de recebimento.
  • Inclua contas que ainda vão vencer.

Depois, projete o saldo das próximas semanas e compare aquilo que esperava com o que realmente aconteceu.

Com o tempo, você começa a identificar padrões. Descobre em quais períodos o caixa aperta, quais despesas aumentaram, quando precisa comprar estoque e quanto dinheiro deve permanecer disponível para manter a operação.

Principalmente, pare de administrar a empresa apenas olhando o saldo bancário. O dinheiro disponível hoje pode já estar comprometido amanhã.

Quando você utiliza o fluxo de caixa corretamente, deixa de reagir apenas quando surge uma conta e começa a tomar decisões com antecedência.

E essa mudança é importante porque uma empresa não precisa somente vender.

Ela precisa receber no momento certo, pagar seus compromissos, manter capital para continuar operando e transformar vendas em um negócio financeiramente sustentável.

Então é isso, espero que esse conteúdo sobre como fazer fluxo de caixa tenha ajudado na sua empresa. Até a próxima!

Imagens por: Magnific

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